
É sempre na hora de descansar que ela aparece. O dia foi cheio, o corpo pede cama, mas o dente parece ganhar vida própria — pulsa, lateja, incomoda.
Essa é a famosa dor de dente à noite, uma das queixas mais comuns nos consultórios dos dentistas. Durante o dia, as distrações ajudam a “mascarar” o incômodo, mas quando o silêncio chega, a sensação é de que o dente bate no mesmo ritmo do coração.
Neste artigo, você vai entender por que a dor piora ao deitar, quais são as 7 causas mais comuns e como passar a noite com segurança até conseguir atendimento.
Por que a dor de dente piora ao deitar?
Não é impressão sua: a dor realmente tende a se intensificar à noite. Isso acontece por um conjunto de fatores físicos e fisiológicos:
- Aumento do fluxo e da pressão local na cabeça: ao deitar, a circulação na região da face pode aumentar. Em um dente com a polpa inflamada, isso eleva a pressão dentro do dente. Como o dente é uma estrutura rígida e não “expande”, o nervo fica mais comprimido, gerando a dor pulsátil.
- Ausência de distrações: sem os estímulos do dia, o cérebro foca mais nos sinais internos do corpo, aumentando a percepção da dor.
- Boca seca e respiração pela boca: a produção de saliva diminui durante o sono. A falta dessa proteção natural pode aumentar a sensibilidade e o desconforto.
As 7 causas mais comuns da dor de dente à noite
1) Pulpite (inflamação da polpa)
A pulpite é a inflamação da parte viva do dente (onde fica o “nervo”). Em Endodontia, costumamos classificar em:
- Pulpite reversível: inflamação leve, que pode regredir após remover a causa (ex.: cárie) e restaurar corretamente.
- Pulpite irreversível: o dano é permanente. A dor costuma ser espontânea, forte e piora ao deitar. Nesses casos, o tratamento de canal é o caminho para eliminar a dor e preservar o dente.
2) Abscesso dentário (infecção)
Ocorre quando bactérias avançam e atingem estruturas além do dente, podendo formar pus. É comum a sensação de “dente crescido” e dor intensa à mastigação.
Atenção: nunca tente drenar, furar ou espremer um abscesso em casa. Isso pode espalhar a infecção para tecidos da face e pescoço.
3) Pericoronarite (siso inflamado)
É a inflamação/infecção da gengiva que recobre parcialmente um siso que está nascendo. Esse tecido (opérculo gengival) pode acumular resíduos, inflamando e doendo — muitas vezes piorando à noite.
4) Bruxismo do sono
O hábito de ranger ou apertar os dentes sobrecarrega ligamentos e músculos. A pessoa pode acordar com:
- dentes “pesados” ou sensíveis,
- dor na mandíbula,
- dor de cabeça,
- sensação de pressão nos dentes.
O bruxismo pode simular dor de dente ou piorar uma dor já existente (por exemplo, em dentes com trincas ou inflamação).
5) Restaurações infiltradas
Obturações antigas que perderam a vedação permitem entrada de bactérias e irritação interna. Isso pode causar sensibilidade aguda e até dor latejante, especialmente à noite.
6) Microtrincas e traumas
Fissuras pequenas (às vezes invisíveis) no esmalte e na dentina funcionam como “portas de entrada” para frio e calor, causando choques, fisgadas e dor ao morder.
7) Sinusite maxilar (dor referida)
As raízes dos dentes superiores ficam próximas aos seios da face. Em casos de sinusite, a pressão pode irradiar para os dentes e parecer dor de dente.
Em geral, a dor vem acompanhada de sinais como:
- congestão nasal,
- sensação de pressão na face,
- piora ao abaixar a cabeça,
- desconforto em mais de um dente superior.
O que fazer para aliviar a dor e conseguir dormir (com segurança)
As medidas abaixo são temporárias e servem para reduzir o desconforto até você conseguir atendimento. Se houver sinais de alerta (inchaço, febre, dificuldade para engolir), procure urgência imediatamente.
- Mantenha a cabeça elevada: use dois travesseiros para diminuir a pressão local na face.
- Compressa fria (por fora): aplique gelo envolvido em um pano por 15 minutos do lado externo do rosto. O frio reduz o latejar.
Nunca use compressa quente, especialmente se houver suspeita de infecção/inchaço. - Bochecho com água morna e sal: pode ajudar no conforto e higiene local (não trata a causa).
- Higiene suave: não pare de escovar. Use fio dental para remover restos de comida.
Dica: faça um pequeno nó no fio para ajudar a puxar detritos em áreas mais presas. - Alimentação: prefira alimentos líquidos/pastosos e em temperatura ambiente, evitando extremos (muito quente ou muito frio).
FAQ – Perguntas Frequentes
Posso tomar remédio por conta própria?
Analgésicos comuns (como dipirona ou paracetamol) podem ajudar a reduzir a dor para você dormir, mas não tratam a causa.
Antibióticos e anti-inflamatórios só devem ser usados com indicação profissional, porque podem mascarar sinais importantes e atrasar o diagnóstico correto.
Dor de dente à noite na gravidez: o que fazer?
Gestantes devem priorizar medidas não medicamentosas (como compressas frias) e procurar o dentista o quanto antes.
O estresse da dor prolongada pode ser mais prejudicial do que o tratamento odontológico, que costuma ser seguro durante o pré-natal quando bem indicado e planejado.
Quando procurar uma urgência odontológica?
Busque atendimento imediato se houver:
Inchaço visível no rosto ou pescoço;
Febre e mal-estar geral;
Dificuldade para engolir ou para abrir a boca.
Conclusão: dormir sem dor é possível
A dor de dente à noite é um sinal de alerta do seu corpo. Embora as medidas caseiras tragam um alívio temporário, apenas o diagnóstico profissional resolve o problema na raiz — literalmente.
A odontologia moderna, especialmente a Endodontia, evoluiu muito. Hoje, com anestesia e técnicas atuais, o tratamento costuma ser muito mais confortável do que a dor que você está sentindo.
Leia também
- O que tomar para dor de dente: guia do que pode e do que evitar
- Dente latejando: quando o canal é indicado (e por que ele resolve a dor)
